Você acaba de comprar um carro zero e conta a novidade para todos os seus conhecidos. Mas, ao sair da garagem para o primeiro passeio, já dá uma ralada no portão. “Só pode ser inveja!”, você pensa. Ou está no meio do expediente e, do nada, bate um desânimo. “Alguém colocou um mau olhado em mim”, é sua única explicação.
Responsabilizar os sentimentos alheios por seus erros ou problemas parece ser uma solução fácil e sensata, mas não é. O ideal é investigar por que cada acontecimento ruim acontece. Para isso, o primeiro passo é entender que a inveja não age. “Muita gente se sente perseguida pela inveja. Mas o sentimento do outro não prejudica ninguém, o que prejudica é a atitude. Quem se vê alvo desse sentimento perde o foco. A pessoa fica tão insegura que passa a olhar na direção contrária de seus objetivos e se descuida do que antes era importante”, explica a psicóloga Roseana Ribeiro, de São Paulo.
A inveja é toda sua
E o que leva alguém a tornar a inveja o vilão de seus problemas? Uma das explicações é que quem se preocupa demais com o assunto é que pode estar desejando o que é do outro – e se sentindo mal por isso. “No fundo, ninguém gosta de ter inveja, pois ela é uma espécie de prova de fracasso, falta, inferioridade”, diz Dorit Verea, psicóloga da Clínica Prisma, de São Paulo. O repúdio a este sentimento gera culpa, explica Roseana. Para se defender deste sentimento ruim, a pessoa tenta justificá-lo por meio do outro: atribui a ele a inveja e, assim, abranda suas próprias emoções.
Ou seja: será que você é mesmo invejado ou deseja estar nesta posição? Acreditar ser o alvo da cobiça alheia dá certo sentimento de superioridade. A pessoa acredita que o outro está em uma fase ruim e comemora intimamente sua “desgraça”. “O invejoso precisa se sentir invejado para suportar a frustração de não ter o que o outro tem”, explica o psicólogo e escritor Alexandre Bez, autor do livro “Inveja – O Inimigo Oculto” (Editora Juruá).
Veja a seguir o que se passa por trás do comportamento de culpar a inveja por todos os males. E veja a dica de especialistas para não cair mais nesta cilada.


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